SEJAM BEM-VINDOS!

Caríssimos(as) Irmãos(as), saudamos a todos vocês com a Paz e o Bem contidas no Cristo Jesus e em São Francisco de Assis.



quinta-feira, abril 30, 2015

A pertença

Paz e Bem!


Amanhã, 01 de maio, dia do trabalhador, haverá apenas a missa das 19h aqui na Igreja do Galo.


Em todas as instituições humanas há direitos e deveres, bem como exigências a serem cumpridas e usufruto de benesses. Quanto mais se ama a instituição mais se veste a camisa da mesma e se ajuda a consecução de sua missão. Quando o interesse for de apenas tirar vantagens da mesma, o sentido de pertença fica prejudicado, bem como a própria agremiação não é ajudada de modo abrangente.

Jesus faz a comparação da videira, cujos ramos dão frutos se estiverem bem ligados ao tronco. Caso contrário, seca e não produz nada de resultado positivo (Cf. João 15,1-8). Ele quis instituir não simplesmente uma religião a mais, conforme a praxe humana. Planejou uma grande família em que todos vivessem ligados a Ele e uns aos outros, em verdadeira fraternidade. Ele sabia que a participação em sua família seria realizada de modo diferenciado, conforme o ser, a história e a realidade de cada um. Mas todos devem estar dispostos a fazer e dar tudo de si pelo bem da mesma. Ele promete, então, sua ajuda. Dá a própria vida. A nossa, porém, depende de nós mesmos. Ele não faz em nosso lugar o que nos compete, porque nos valoriza, respeita nossa liberdade e recompensa nosso esforço. Ao pequeno sinal de nossa boa vontade Ele se achega e nos ajuda. É preciso que confiemos nele. Antes, Ele mesmo nos estimula com sua ajuda para correspondermos a seu amor.

Ninguém é dono da grande família de Jesus, a Igreja. Ela tem seus valores, orientações, exigências e suporte ou ajuda para todos. Possui variedade de funções e serviços ou ministérios. É preciso haver docilidade a seus ensinamentos e dons. Querer usá-la sem compromisso de ajudá-la a realizar sua missão é o mesmo que querer ganhar um jogo sem ajudar o time. Neste não há torcedores. Só quem entra em campo e ajuda o time ganha o jogo. Não vale querer isto ou aquilo da Igreja sem ajudá-la a superar seus limites e colaborar com sua missão de implantar o Reino de Deus, onde haja justiça, solidariedade, colaboração, promoção da ética e do bem comum, além da Liturgia e das práticas religiosas. Trata-se de se carregar a bateria espiritual para a missão acontecer, numa verdadeira ligação entre fé proclamada e vida desenvolvida com os valores do Evangelho. Isto deve dar-se na família, na comunidade eclesial e na sociedade. Vai haver, então, a promoção da vida, da dignidade humana, da boa política e do uso da ciência, da cultura, da economia e da técnica para a promoção da cidadania para todos. A Igreja de Jesus é encarnada na história para transformá-la com a luz de Cristo. Muitos querem uma Igreja de Liturgia voltada para dentro de si e ponto final. A Igreja é para servir e ser luz para o mundo, como quer o Divino Mestre.

Há quem estranhe pessoas que viviam de modo contrário ao Evangelho e agora estão a seu favor. A santidade não é não ter defeitos. Mesmo tendo-os a pessoa se converte e faz todo esforço para superá-los. Assim aconteceu com a vida de muitos, que até foram canonizados como santos. Os exemplos são muitos. O de Paulo é protótipo. Logo após sua conversão a comunidade tinha medo dele, pois, perseguia os cristãos. De repente ele se apresentou como apóstolo e ensinava o caminho de Jesus (Cf. Atos 9,26-31). A missão de quem participa da Igreja de Jesus é a de anunciá-lo a todos, para que haja conversão e vida nova. Esta é demonstrada no modo de viver segundo o Evangelho. Leva a pessoa a amar a Igreja, ajudá-la na missão e fazer com que ela possa ser instrumento de promoção de vida plena para todos. A manifestação de pertença a ele se mostra em quem segue seus ditames e sua grande missão!

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

cnbb.org.br


quarta-feira, abril 29, 2015

Cristo é a luz que direciona o nosso caminhar

Tenhamos a convicção de que a verdade, a vida e a luz de que nós precisamos para direcionar o nosso caminhar se chama Jesus Cristo!

“Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (João 12, 46).

Quem de nós não passa por situações de escuridão na vida!? Quem de nós não passa por situações nas quais o nosso coração está atrelado às trevas, às dúvidas e incertezas? Quem de nós não contempla e não percebe a escuridão com que, muitas vezes, o mundo envolve a nossa vida, os nossos sentimentos e os nossos afetos? Quantas vezes nós nos encontramos na penumbra da vida sem saber qual é o caminho, a direção e a luz a seguir diante de tantas situações que vivemos.

Permita-me hoje falar ao seu coração: Deus não nos quer caminhando em meio às trevas! Deus não nos quer caminhando na escuridão; Ele não quer nos deixar na penumbra desta vida! Ele enviou Seu Filho ao mundo, Jesus Cristo, Nosso Senhor e Nosso Salvador, para Ele ser a luz que ilumina a nossa vida e o nosso caminhar.

Não tome isso com um sentido poético ou apenas uma afirmação de efeito: “Jesus é a luz do mundo!”, mas tome isso como verdade, como fato! Permitamos que o farol vindo do coração de Jesus – que essa luz vinda do coração misericordioso de Jesus – ilumine as trevas, as dúvidas e todas as questões da nossa vida e da nossa alma.

É verdade que existem muitas situações para as quais não encontramos respostas imediatas. E talvez até morramos com muitas questões sem respostas, porém, o mais importante é que tenhamos uma resposta final, uma luz plena. E ainda que não entendamos muitas coisas, tenhamos a convicção de que a verdade, a vida e a luz de que nós precisamos para direcionar o nosso caminhar se chama Jesus!

São muitas as situações que nos levam a nos perder nesta vida, mas nós não podemos perder o foco, nós não podemos perder a direção nem tirar de Cristo Jesus o nosso olhar. Ainda que, em muitas situações e transformações pelas quais o mundo passa e vive, sejamos questionados e chamados a responder, mesmo que não tenhamos respostas para tudo, precisamos ter convicção de que Jesus é a luz da nossa vida.

Para isso é preciso parar, meditar, contemplar, orar e nos colocar debaixo da Palavra de Deus e não deixar que ela seja um livro antigo, ultrapassado, mas sim que a Palavra de Cristo seja sempre nova em nossos corações!

Que possamos parar um momento em nossa vida e, na verdade, que possamos parar a cada dia em nossa vida para nos colocar debaixo dessa luz, que é Cristo Jesus. Porque nós caminhamos nos atropelando em meio a tantos compromissos e a tantas coisas que temos para fazer na vida, que nós, muitas vezes, nos perdemos no meio da estrada.

Não deixemos de parar a cada dia, não deixemos de rezar a cada dia da nossa vida, não deixemos que as coisas sejam feitas de forma atropelada, sem reflexão, sem meditação, sem oração e sem entrega interior da vida, das escolhas e daquilo que somos e queremos ao poder de Jesus.

Que a luz de Deus, que a luz do alto e que a luz de Cristo direcionem os nossos passos e o nosso caminhar!

Deus abençoe você!

Pe Roger Araújo
cancaonova.com

terça-feira, abril 28, 2015

Mensagem do Arcebispo de Natal por ocasião da Páscoa 2015

MENSAGEM


AOS PRESBÍTEROS, AOS DIÁCONOS,
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS

DA ARQUIDIOCESE DE NATAL

POR OCASIÃO DA PÁSCOA DO SENHOR DE 2015



Saudações vibrantes! Cristo Ressuscitou!


É ele a razão de nossa alegria! Aleluia!


No momento em que celebramos o mistério da Páscoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, verdade central e princípio motivador da fé cristã, somos instados a buscar à concretude da graça pascal com um olhar de co-responsabilidade no exercício da cidadania. Como nos diz o beato Paulo VI: “A ação política dos cristãos é forma exímia e eminente de caridade”. Nesse espírito de caridade, convidamos todo o Povo de Deus, e cada fiel batizado em Jesus Cristo, homens e mulheres de boa vontade, para nos unirmos em favor do Brasil e do Povo brasileiro.

Todos sabemos dos graves problemas que se abateram sobre o Estado Brasileiro, diante da revelação dos graves casos de corrupção, operados por agentes políticos com a participação de setores empresariais, que, juntos, lapidaram o patrimônio público construído pelo trabalho suado de homens e mulheres de bem que honram a pátria brasileira.

A crise estabelecida – e alimentada pelos inimigos da democracia – traz à luz as mazelas históricas ainda presentes nas práticas de alguns que usurpam do poder político para se locupletarem do bem comum.

A conduta e atitudes de alguns, eivadas e alimentadas por práticas de corrupção, principalmente para macular o processo eleitoral brasileiro, há tempo adornam o noticiário cotidiano. Entretanto, sempre foram negligenciadas ou relativizadas pela opinião pública. Enquanto isso, o Estado brasileiro ainda permanece omisso na resolução dos graves problemas estruturais da sociedade, particularmente aqueles referentes às áreas de saúde, de educação, de acesso ao solo urbano e à reforma agrária, à distribuição de renda e à segurança dos cidadãos. Omissão agravada pelo despreparo e falta de compromisso de parte da classe política, que preferem à violência, usando do aparelhamento estatal para eliminar aqueles que por ausência dessas mesmas políticas públicas, são jogados no crime organizado, e, agora, com a possibilidade de ingressarem até mais cedo pela redução da maioridade penal.


Caríssimos irmãos e irmãs!

Diante de tantos desafios, o Povo Cristão não pode ficar e permanecer inerte. A multiplicação e complexidade das relações sociais no tempo presente torna o papel do Estado mais complexo. Exige-se do Estado que penetre mais profundamente em toda a vida social, o que requer tanto mais discernimento dos cristãos e lhes coloca a obrigação de se informarem melhor.

Uma exigência que a fé coloca para o cristão engajado na política é a necessidade de agir. Análises, denúncias e estudo das soluções não bastam. É preciso orientar esses elementos para a tomada de decisões e para o empenho na ação.

Não basta recordar os princípios, afirmar as intenções, fazer notar as injustiças gritantes e proferir denúncias proféticas; essas palavras ficarão sem efeito real, se elas não forem acompanhadas, por cada um em particular, de uma tomada de consciência mais viva da sua responsabilidade e de uma ação efetiva. É demasiadamente fácil jogar sobre os outros a responsabilidade das injustiças se não se dá ao mesmo tempo conta de como se tem parte nela e de como a conversão pessoal é necessária, mais do que qualquer outra coisa (Cf. OA, 48). Como Igreja devemos cumprir o mandato bíblico a partir do que nos apresenta o profetas Isaias “O espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu, me enviou para curar os corações feridos, para proclamar a libertação, para anunciar a graça, para consolar!” (cf. Is. 61,1), desta forma, compreendemos que o cristão, assumindo sua dimensão profética do batismo é um mensageiro de esperança! Um arquiteto da justiça! Um construtor permanente da paz!

Na vivência de construtores permanentes da paz, percebendo a atual crise que coloca em risco a Democracia Brasileira, esta que foi conquistada com o envolvimento das classes políticas e de todo o povo, e que custou muito sacrifício e sofrimento, não podemos ficar apáticos diante da exigência desse momento histórico. A ocasião exige a participação de todos os que lutaram, acreditam e trabalham para fortalecer e consolidar os valores democráticos no cotidiano de nossas relações como cidadãos. É hora da cidadania! E cidadania ativa!

É no exercício da cidadania ativa que está a essência da Democracia. A cidadania ativa e emancipada se conquista no cotidiano. A cidadania cotidiana é o caminho adequado para fazer frente às mazelas políticas, sociais e econômicas que nos perseguem, que se traduzem por atos de violência, às vezes praticados pelo próprio Estado contra os cidadãos; posturas discriminatórias e preconceituosas; percepção equivocada de direitos, e materializados como privilégios para alguns; clientelismo; corporativismo, autoritarismo; corrupção, entre outros.

A prática cidadã é uma das responsáveis pela construção de espaços públicos, onde todos recebam do Estado a garantia do seus direitos fundamentais – moradia, trabalho, saúde e educação. Não há cidadania quando não se garante a construção democrática de uma ordem pública para o exercício pleno da representação plural dos interesses dos cidadãos mediante um amplo processo de interlocução e negociação.

Então, diante da inquestionável crise por que passam, no Brasil, as instituições da Democracia Representativa, especialmente o processo eleitoral, decorrente este de persistentes vícios e distorções, tem produzido efeitos gravemente danosos ao próprio sistema representativo, à legitimidade dos pleitos e à credibilidade dos mandatários eleitos para exercer a soberania popular.

O momento exige a participação de cada cidadão para cobrar das Casas do Congresso Nacional uma Reforma Política Democrática que estabeleça normas e procedimentos capazes de assegurar, de forma efetiva e sem influências indevidas, a liberdade das decisões do eleitor.

Cabe a cada um de nós manter-se vigilante e atento aos acontecimentos políticos atuais para que não ocorra nenhum retrocesso em nossa Democracia, tão arduamente conquistada.

Para tanto, é necessário que todos os cidadãos colaborem no esforço comum de enfrentar os desafios, que só pode obter resultados válidos se forem respeitados os cânones constitucionais, sem que a Nação corra o risco de interromper a normalidade da vida democrática.

Participemos todos, então, da campanha de assinaturas de adesão à proposição de uma Reforma Política Democrática, realizada por uma constituinte exclusiva e soberana, com a responsabilidade de mudar o sistema político para evitar que a esfera privada continue dominando e sugando a espera pública, além de promover as reformas urgentes e necessárias que garantam a igualdade de direitos econômicos, sociais, ambientais, culturais e civis para todos os brasileiros.

Não faz sentido realizar uma reforma política feita por um Congresso que é parte do problema, e não da solução.

Por fim, lembremo-nos que o cristão é movido e animado por uma profunda esperança, fundada na certeza de que o Senhor Ressuscitado continua no meio de nós e acompanha nossas ações, operando por meio de nós. O cristão sabe que não está sozinho. Deus opera em outras pessoas e grupos, inspirando-lhes ações a favor da justiça e da paz. Nossa ação se junta à de muitas outras pessoas, instituições, até formar uma grande corrente, capaz de mudar as mentes e estruturas (Cf. Paulo VI, AO, 48).

Invocando o olhar materno da Virgem Mãe e Senhora Aparecida, supliquemos ao Bom Deus a esperança de podermos juntos, como cidadãos e como cristãos, construirmos uma pátria mais justa que seja amada e gentil Mãe de todos os brasileiros.

A minha especial bênção de Páscoa!

Natal-RN, 5 de abril de 2015


Domingo da Ressurreição 

Dom Jaime Vieira Rocha 
Arcebispo Metropolitano de Natal

arquidiocesedenatal.org.br

segunda-feira, abril 27, 2015

Jesus é o Pastor compassivo e misericordioso

O Bom Pastor dá a vida pelas ovelhas; Jesus entregou a sua vida por nós. Jesus entra na corrente dos profetas que denunciam os falsos pastores e anunciam para Israel um pastor segundo o coração de Deus, compassivo, misericordioso. No século VI a.C., Jeremias denunciava que os falsos pastores, aqueles a quem era atribuído o título de pastor – os reis –, conduziram o povo para longe do Deus único e verdadeiro; levaram o povo a adorar os ídolos e a abandonar os mandamentos de Deus. A aflição do povo, o desejo de um único e verdadeiro pastor para que as ovelhas não se desgarrassem, fará com que Deus, diante da fraqueza e da infidelidade dos que estavam à frente do povo, prometa conduzir, ele mesmo, a porção de sua herança, qual um pastor. Essa promessa nós a vemos realizada em Jesus, Bom Pastor. Jesus é o Pastor segundo o coração de Deus, Pastor compassivo e misericordioso, que conduz as suas ovelhas às pastagens verdejantes do amor de Deus e as protege contra o inimigo que ameaça a vida do seu povo. Não somente isso, mas Jesus é o Bom Pastor que entrega livremente a própria vida em favor de suas ovelhas. Em cada celebração da Eucaristia nós recordamos essa palavra do Senhor: “isto é o meu corpo entregue por vós... isto é o meu sangue derramado por vós”.
Pe. Carlos Alberto Contieri

Oração
Ó Pastor divino, nós vos pedimos que envieis muitos operários para a vossa messe, pois ela é imensa e os operários são poucos.


domingo, abril 26, 2015

Jesus é o Bom Pastor - 4o domingo da Páscoa

O BOM PASTOR DÁ SUA VIDA

1ª leitura: (At 4,8-12) Defesa de Pedro diante do Sinédrio ­– Processo a Pedro e João por terem causado tumulto ao curar o aleijado da Porta Formosa. A questão é: “Em nome de quem?” (4,7). A resposta de Pedro é mais um testemunho da obra de Deus em Jesus Cristo (4,8-12); “No nome de Jesus, que vós crucificastes, e que Deus ressuscitou”. * Cf. At 3,6.16; Sl 118[117],22; Is 28,16; Mt 21,42.

2ª leitura: (1Jo 3,1-2) “Já somos filhos de Deus” – Quem não acredita em Cristo, não entende a experiência cristã que se expressa na frase “Somos filhos de Deus”. mas também o cristão não a entende plenamente, pois deve manifestar ainda seu sentido pleno. * 3,1 cf. Rm 8,14-17; Jo 1,12; Ef 1,5; Jo 15,21; 17,25 * 3,2 cf. Cl 3,4; Fl 3,21.

Evangelho: (Jo 10,11-18) O Bom Pastor dá sua vida pelas ovelhas – Pastor: nome dos chefes do povo no antigo Israel (cf. Ez 34). Jesus, o verdadeiro Pastor de Israel e de todos os povos, dá – com soberania divina (10,18) – sua vida pelo rebanho e reúne a todos. O sentido pleno destas palavras só aparece à luz da Páscoa: a comunhão do ressuscitado com os seus. Daí, para todos, uma mensagem de unidade; e para os “pastores”, uma exortação ao radical serviço e doação da vida.

*** *** ***

O tema central da liturgia de hoje (evangelho) é a alegoria do Bom Pastor (como sempre no 4º domingo pascal). Na primeira parte da alegoria, lida no ano A, Jo comparou Jesus com a porta do redil, porta pela qual entra o pastor e pela qual sai o rebanho conduzido pelo pastor. Quem não entra pela porta que é Jesus não é pastor, mas assaltante. Na segunda parte, lida hoje, Cristo é o próprio pastor, em oposição aos mercenários: imagens tomadas de Ez 34. Os mercenários não dão sua vida pelo rebanho. Jesus, sim. Todo mundo entende esta comparação. O sentido é obvio: Jesus deu, na cruz, sua vida por nós. Para Jo, porém, ela esconde um sentido mais profundo: a vida que Jesus dá não é apenas a vida física que ele perde em nosso favor, mas a vida de Deus que ele nos comunica (exatamente ao perder sua vida física por nós). Esta ideia constitui a ligação com a imagem precedente (a porta): em Jo 10,10b, Jesus diz que ele veio para “dar a vida”, e dá-la em abundância; e continua, em 10,11, apontando sua própria vida como sendo esta vida em abundância que ele dá. Nos v. 17-18 aparece, então, que ele dá essa vida com soberania divina (ele tem o poder de retomá-la; ninguém lha rouba): doando-se por nós, nos faz participar da vida divina, porque entramos na comunhão do amor de Jesus e daquele que o enviou (estas ideias são elaboradas em Jo 14–17, esp. 15,10.13; 17,2.3.26 etc.).

A vida que Jesus nos dá é o amor do Pai, que nos faz viver verdadeiramente e nos torna seus filhos. Já agora temos certa experiência disso, a saber, na prática deste amor que nos foi dado. Mas essa experiência é ainda inicial; manifestar-se-á plenamente quando o Cristo for completamente manifestado na sua glória: então, seremos semelhantes a ele. Desde já, nossa participação desta vida divina nos coloca numa situação à parte: na comunidade do amor fraterno, que o mundo não quer conhecer e, por isso, rejeita (1Jo 3,1c). É a “diferença cristã” (2ª leitura).

Porém, a diferença cristã não é fechada, mas aberta. É uma identidade não autossuficiente, mas comunicativa. Jo insiste várias vezes neste ponto: Jesus é a vítima de expiação dos pecados não só de nós, mas do mundo inteiro (1Jo 2,2); Jesus tem ainda outras ovelhas, que não são “deste redil” (Jo 10,16). O amor, que é a vida divina comunicada pelo Pai na doação do Filho, verifica-se na comunidade dos fiéis batizados, confessantes e unidos. Mas não se restringe a essa comunidade. Não só porque existem outras comunidades, mas porque a salvação é para todos.

A atuação dos primeiros cristãos em Jerusalém (1ª leitura) deve ser entendida neste mesmo sentido. Formam uma comunidade que, sociologicamente falando, pode ser caracterizada como seita. Porém, não é uma seita autossuficiente, mas transbordante de seu próprio princípio vital, o “nome” de Jesus Cristo (= toda a realidade que ele representa). Quando um aleijado, na porta do templo, dirige a Pedro seu pedido de ajuda, este lhe comunica o “nome” de Jesus (At 3,6). Daí se desenvolve todo um testemunho (narrado na liturgia de domingo passado). Este testemunho leva à intervenção das autoridades, sempre desconfiados dos pequenos grupos testemunhantes. Pedro e João são presos e levados diante do Sinédrio, que pergunta em que nome eles agem assim. “No nome de Jesus Cristo Nazareno, crucificado por vós, mas ressuscitado por Deus... Em nenhum outro nome há salvação, pois nenhum outro nome foi dado sob o céu por quem possamos ser salvos” (At 4,10-12; cf. Jo 17,3: “A vida eterna é esta: que te conheçam... e àquele que tu enviaste”). É essa a conclusão do sinal do aleijado da Porta Formosa: a cura que lhe ocorreu significativa a “vida” em Jesus Cristo. Esta deve também ser a conclusão de todo agir cristão no mundo: dar a vida de Cristo ao mundo, pelo testemunho do amor. Tal testemunho convida a participar do amor do qual Jesus nos fez participar, dando sua vida “por seus amigos”. Isto é pastoral.


O PASTOR, OS PASTORES E A PASTORAL

Na liturgia deste domingo, o evangelho traz as palavras de Jesus sobre o “bom pastor” (Jo 10,11-18) e a 1ª leitura (At 4,8-12) nos mostra o primeiro pastor da jovem comunidade cristã, Pedro, defendendo o rebanho perante o supremo conselho dos judeus em Jerusalém. Dois exemplos de pastores que põem em jogo sua vida em prol de suas ovelhas. Por isso, também, este domingo é o domingo das vocações “pastorais”.



Antes, porém, de assimilar a mensagem destas leituras é preciso nos deslocarmos para as estepes da Judeia, para imaginar o que significa a imagem do “pastor”. O povo de Judá era, tradicionalmente, um povo de pastores de ovelhas e cabras. Assim, por exemplo, o rei Davi foi chamado de detrás do rebanho para ser rei de Judá e Israel. Ora, havia pastores proprietários, para quem o rebanho era seu sustento, e assalariados, que não se importavam muito com o rebanho... Todo judeu conhecia a história de Davi, que, para salvar o rebanho de seu pai Jessé, correu risco de vida enfrentando um leão (1Sm 17,34-37). E conheciam-se também as advertências proféticas contra os maus pastores de Israel (os reis e chefes) que se engordavam à custa das ovelhas em vez e de conduzi-las à pastagem (Ez 34,2 etc.).

O pastor “certo” é Jesus, diz Jo 10,11. Ele conduz as ovelhas com segurança, dando a vida por elas, pois são pedaços de seu coração, à diferença dos mercenários, que fogem quando se apresenta um perigo: um leão, um lobo... Jesus é o pastor de verdade, o Messias, o novo Davi e muito mais! Ele dá a vida pelas ovelhas. O caminho pelo qual conduziu as ovelhas foi o do amor até o fim. Ele deu o exemplo. Sua vida certamente não esteve em contradição com sua “pastoral”, como acontece com outros.

O que é pastoral? Não é chefia e organização. É conduzir, no amor demonstrado por Jesus, aqueles que viram nele resplandecer a vida e a salvação. Os que escutam sua voz. Pastoral é evangelização continuada, é fidelidade à boa-nova proclamada. Assim como a “pastoral” de Jesus, talvez exija fidelidade até a morte (desde Tiago e Pedro até Dom Oscar Romero e os demais mártires de hoje). Os pastores têm de identificar-se com Jesus, que dá a vida pelos seus.

Quem são as ovelhas? São os que seguem a voz do pastor. Mas não só os que participam da Igreja de modo organizado. A organização da comunidade não é o último critério para a missão pastoral. Diante dos discípulos que eram de origem judaica, Jesus declarou: “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste rebanho” (Jo 10,16). A pastoral tem uma dimensão missionária que ultrapassa os integrados e os organizados!

E quem são os pastores? Há pastores constituídos, os que participam do sacramento da Ordem (papa, bispos, presbíteros, diáconos). Mas, como o Espírito sopra onde quer, a vocação pastoral pode estender-se além desses limites. Cada um pode ser um pouco “pastor” de seu irmão. Até os serviços que a Igreja anima para a transformação da sociedade são chamados de pastorais (pastoral da terra, da mulher marginalizada, dos direitos humanos, direitos socioambientais etc.). O que importa é que os agentes pastorais assumam o empenho da própria vida na linha de Jesus e de seu testemunho de amor. Que sejam “bons pastores”, amando a Cristo e a seus irmãos de modo radical, dando a vida por eles. Que não usem as ovelhas para ambições eclesiásticas ou políticas. Que não sejam traiçoeiros. Que transmitam a seus irmãos o carinho de Deus mesmo.

Pe. Johan Konings SJ
domtotal.com.br

sábado, abril 25, 2015

A exemplo de São Marcos, sejamos anunciadores do Evangelho - 25 de abril

Que São Marcos evangelista nos ajude a ser evangelizadores e anunciadores da Palavra de Deus! E que testemunhemos que só em Jesus há salvação!


“Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo” (Marcos 16, 15-16).

Nós hoje celebramos a festa do evangelista São Marcos, dele é o menor dos Evangelhos, mas, ao mesmo tempo, o primeiro a ser escrito cheio de riqueza de conteúdo por nos dar a compreensão de quem é Jesus. Ele nos ajuda a entender, pelas suas explicações, ou melhor dizendo, pelo desenvolvimento que ele dá à vida de Jesus, que Ele é, verdadeiramente, o Filho de Deus.

Movido por essa convicção e por essa certeza é que Marcos se torna também um seguidor de Cristo Jesus. Ele é João Marcos, aquele de quem Jesus usou a casa para estar e fazer a Última Ceia, é na casa dele que aconteceu o Cenáculo, o Pentecostes e o início da Igreja. Marcos se tornou um discípulo apaixonado por Jesus e por isso pôde organizar, para nós, o Evangelho dele.

O Evangelho de Marcos, ou o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos, não é apenas uma narração de fatos ou conteúdos a respeito da vida de Jesus, dos prodígios e dos milagres ou daquilo que o Senhor realizou no meio de nós. O Evangelho não é uma coleção de ditos e de palavras que o grande Mestre Jesus deixou para nós. O Evangelho é, acima de tudo, o próprio Jesus, porque palavras por palavras são apenas palavras, mas aqui são palavras de vida eterna!

Aquilo que é pregado a nós, no Evangelho, tem o poder de transformar nossa vida e dar sentido e direção ao que cremos, ao que acreditamos e colocamos a nossa confiança. Por isso o Evangelho a ser pregado não é Evangelho apenas formado de letras, mas o Evangelho vivo, a Boa Nova de Cristo que salva a humanidade.

Quando somos mandados e enviados para ir ao mundo inteiro pregar o Evangelho, nós também somos chamados a ir pregar a vida; essa vida que Cristo trouxe a nós! Para isso, precisamos primeiramente dizer que a nossa vida foi por Ele transformada e que, esse mesmo Jesus que transformou a nossa vida, pode transformar a sua também se assim você o permitir.

Uma vez que nós cremos nessa Palavra e fomos batizados por causa dessa mesma Palavra, a salvação de Deus entra em nós e está em nós!

Que São Marcos evangelista nos ajude a ser também evangelizadores, anunciadores e missionários da Palavra de Deus! Que ele nos ajude a testemunhar ao mundo, às pessoas e aos corações que existe salvação e que só há salvação na Palavra de Jesus: Palavra eterna de Deus, Palavra eterna do Pai, que, ao entrar em nós, dá sentido à nossa vida!

Que o seu coração se abra para que, de forma única, acolha essa Palavra de salvação: Jesus, o Evangelho vivo de Deus!

Deus abençoe você!
Pe Roger Araújo

cancaonova.com

quinta-feira, abril 23, 2015

23 de Abril - São Jorge

A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta.

Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.

A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.

Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.

De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.

São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente





Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro, invencível na fé em Deus, que trazeis em vosso rosto a esperança e a confiança,
abri meus caminhos. Eu andarei vestido e armado com vossas armas para que meus inimigos, tendo pés, não me alcancem; tendo mãos, não me peguem; tendo olhos, não me enxerguem; nem pensamentos possam ter para me fazerem mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, flechas e lanças se quebrarão sem a meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo e vossas poderosas armas, defendendo-me com vossa força e grandeza. Ajudai-me a superar todo desânimo
e a alcançar a graça que Vos peço (fazer aqui o seu pedido).
Dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé e auxiliai-me nesta necessidade.

Rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria e fazer o sinal da cruz.

quarta-feira, abril 22, 2015

II CURSO DE ATUALIZAÇÃO PARA FORMADORES E ANIMADORES VOCACIONAIS

No dia 17 de abril, teve início as 18h, no Juvenato Maria Auxiliadora, em Carpina-PE, o II curso de atualização para formadores e animadores vocacionais, tendo a participação de 25 religiosos e religiosas de várias congregações e de vários estados do nordeste, a saber, Frades Capuchinhos (PRONEB e PROCEPI), Padres e irmãos da Pia Sociedade Pe. Nicola Mazza, Padres Dehonianos, Padres Salesianos, Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Bom Conselho, Irmãs Franciscanas de Maristela, Irmãs Franciscanas Bernardinas, Religiosas da Instrução Cristã, Irmãs Salesianas. O intuito do curso é trabalhar alguns temas importantes para a formação, estamos contando com a assessoria do Pe. Adauto Chitolina, SCJ que trabalhou os desafios e perspectivas dentro da formação para vida religiosa e do Irmão Alexandre Lobo, marista, que trabalhou acompanhamento personalizado. O encontro se estendeu até o dia 21/04 atendendo as expectativas dos formadores e animadores vocacionais.






























































































































proneb-capuchinhos.blogspot.com.br

terça-feira, abril 21, 2015

Dom Sérgio da Rocha é eleito novo presidente da CNBB

Paz e bem!

Em virtude do feriado de Tiradentes, hoje, 21 de abril, não haverá missa às 6:30 nem às 11:30. A missa da noite será às 19h e não haverá Carismática.


O arcebispo de Brasília (DF), dom Sérgio da Rocha, foi eleito na manhã desta segunda-feira, 20, como presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O novo presidente foi escolhido ainda no primeiro escrutínio, após receber 215 votos, superando assim os 196 que corresponderam aos dois terços necessários para a eleição.

Currículo de dom Sérgio

O arcebispo de Brasília e novo presidente da CNBB nasceu em Dobrada, no estado de São Paulo, em 1959 e foi ordenado presbítero na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão (SP) em 1984.

Foi nomeado bispo pelo papa João Paulo II em 2001, como auxiliar de Fortaleza (CE) e sua ordenação episcopal foi realizada em agosto do mesmo ano, na Catedral de São Carlos (SP), pelos bispos ordenantes dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, dom Joviano de Lima Júnior e dom Bruno Gamberini.

Em janeiro de 2007 o papa Bento XVI o nomeou como arcebispo coadjutor da arquidiocese de Teresina (PI). Também pelo papa Bento XVI, em 2011, foi nomeado para arcebispo metropolitano de Brasília.

Dom Sérgio estudou Filosofia no Seminário de São Carlos (SP) e Teologia na Pontifícia Universidade de Campinas (SP). O arcebispo é mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção (SP) e doutor pela Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma.

Dom Sérgio tem como lema episcopal “Omnia in Caritate” – “Tudo na caridade”

cnbb.org.br

segunda-feira, abril 20, 2015

Horário de missas nesta terça, 21 de abril, feriado nacional

Paz e bem!

Em virtude do feriado de Tiradentes, amanhã, 21 de abril, não haverá missa às 6:30 nem às 11:30. A missa da noite será às 19h e não haverá Carismática.

Frades Capuchinhos
Convento Santo Antônio - Natal

domingo, abril 19, 2015

ERA NECESSÁRIO CRISTO SOFRER TANTO? - 3o domingo da Páscoa

1ª leitura: (At 3,13-15.17-19) “Deus glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes...” – Pedro curou em aleijado “em nome de Jesus” (At 3,1-10) e agora explica ao povo a força deste “nome, que supera a todos” (Fl 2,9-11): o anúncio da ressurreição de Jesus. Fala também da culpa do povo de Jerusalém, para que se converta e receba perdão e salvação. Mas o gesto e a pregação de Pedro vão provocar o primeiro conflito com o Sinédrio. * 3,13-15 cf. Ex 3,6; Is 52,13; Lc 23,17-25 *3,17-19 cf. Lc 23,34; 1Tm 1,13; Mt 3,2; At 2,38.

2ª leitura: (1Jo 2,1-5a) Cristo, o Justo, propiciação dos pecados de nós e de todos – 1) A admoestação para rompermos com o pecado, inclui uma palavra de conforto: temos um Mediador que assumiu nosso pecado (2,1-2). 2) Segue um esclarecimento: o ser cristão se resume em conhecer Cristo, mas não conhecer de modo intelectual e teórico, porém, do modo da comunhão da fé, que se verifica na observação de sua palavra, na caridade perfeita (cf. também o resto do cap.). * 2,1-2 cf. 1Jo 3,16; Rm 8,34; Hb 7,25; 1Pd 3,18 * 2,3-5 cf. 1Jo 5,2; Jo 14,20-21; 17,3.

Evangelho: (Lc 23,35-48) Jesus aparece aos Onze na refeição e explica as Escrituras – Um sepulcro vazio não convence ninguém... Os onze precisaram da presença do Ressuscitado para que seus olhos e coração se abrissem. A fé na ressurreição é dom de Jesus e do seu Espírito. Implica a descoberta do fio escondido das Escrituras, o surpreendente plano de Deus. Mas esse plano ainda não chegou ao fim. Estamos agora “no meio do tempo”, em que Deus oferece a restauração, em nome de Jesus, para que todos possam viver para ele, enquanto os que creem levam o testemunho disso ao mundo. * Cf. Jo 20,19-23 * 24,36-43 cf. Lc 24,16; Jo 21,5-10; At 10,40 * 24,44-48 cf. Lc 9,22; 24,26-27; Mt 28,19-20.

Nas leituras de hoje, encontramos alguns títulos do Cristo aos quais estamos pouco acostumados: o Servo, o Santo e o Justo. Referem-se ao Servo Padecente do Dêutero-Isaías. Revelam um acontecimento importante no seio da primitiva comunidade cristã: a releitura das Escrituras (A.T.) à luz dos eventos da morte e ressurreição de Cristo. Tal releitura é, propriamente, a obra do Espírito nos primeiros anos da jovem comunidade. Porém, Cristo mesmo preside a esta obra, como nos mostra o evangelho de hoje (a aparição aos Onze reunidos no cenáculo). Jesus lhes mostra o que, “na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (as três partes das escrituras está escrito a respeito do Messias, especialmente, que ele deve sofrer e morrer e, no terceiro dia, ressuscitar).

A comunidade dos primeiros cristãos esforçou-se para reconhecer naquele que os judeus entregaram e mataram (cf. At 3,13-14; 1ª leitura) aquele que as Escrituras anunciaram. Tiveram que descobrir um fio escondido, que os outros judeus (pois também eles eram judeus) não enxergaram: a figura do justo oprimido, do servo sofredor, do messias humilde, do pequeno resto, do profeta rejeitado... Enquanto o judaísmo em geral lia as Escrituras com os óculos de um messianismo terrestre (geralmente nacionalista), os primeiros cristãos descobriram na aniquilação e ressurreição de Cristo a atuação escatológica de Deus, a nova criação, o início do Reino de Deus por meio de seu “executivo”, o Filho do Homem (cf. Dn 7), que – acreditavam – voltaria em breve com a glória e o poder do Céu. E este Filho do Homem era, exatamente, o messias desconhecido, presente em textos que não descrevem o poderoso messias davídico, mas aquele que devia sofrer e morrer.

Esse trabalho da primitiva comunidade, iluminada pelo Espírito do ressuscitado, é um exemplo para nós. Eles fizeram essa releitura para poder dizer aos judeus, em categorias judaicas, que Jesus era, mesmo, o esperado, o dom de Deus, o sentido pleno, a última palavra de nossa vida e de nossa história. Nós, hoje, devemos anunciar a mesma mensagem utilizando as categorias de nosso tempo. Isso não é simples, pois as categorias determinam em parte a percepção das coisas e, portanto, também o conteúdo da mensagem. Devemos ler o “Antigo Testamento” de nosso tempo, isto é, a linguagem em que nosso tempo exprime suas mais profundas aspirações. Nem sempre é uma linguagem religiosa. Pode ser uma linguagem política, “histórico-material” até! Como recuperá-la para dizer: “Jesus é o Senhor”? Tarefa difícil, mas não impossível. Nenhuma página do A.T. era estritamente adequada para traduzir a mensagem das primeiras testemunhas de Cristo, nem mesmo as páginas do Dêutero-Isaías (p.ex., o Servo de Is 53,12 aparece como recompensado, em sua vida, pela fama, a honra, etc.; isso não se aplica diretamente a Jesus). A mensagem transbordava das categorias. Isso acontece também hoje, quando dizemos que em Jesus temos a “libertação”, categoria socioeconômica da dialética materialista. Porém, a inadequação das categorias não nos dispensa de usá-las para dizer aos nossos contemporâneos, numa linguagem que neles encontre ressonância, o que devemos testemunhar. Exatamente para superar a limitação da linguagem e transmitir algo que é “revelação”, algo que não está no poder de nossa palavra, age em nós, até hoje, o Espírito, que, nos primeiros cristãos, completou o que Jesus havia iniciado naquela tarde: a releitura das Escrituras.
A história pós-pascal é um história de meditação e interpretação do evento de Jesus Cristo. Devemos continuar essa história. Mas ela é, também e sobretudo, a história da encarnação de sua mensagem no amor fraterno, conforme o preceito de Jesus. Esta encarnação é, certamente, a melhor “tradução” da mensagem pascal. No amor fraterno da comunidade cristã, o mundo enxerga o Ressuscitado, o Cristo vivo.


ERA NECESSÁRIO CRISTO SOFRER TANTO?

O sofrimento de Jesus é entendido de muitas maneiras, nem sempre aceitáveis. Há quem diga que Jesus teve de pagar nossos pecados com seu sangue. Mesmo se é verdade que o sofrimento de Jesus nos resgatou, não é porque Deus exigiu que ele pagasse com seu sangue a nossa divida. Seria injusto e cruel. Os homens é que “castigaram” Jesus, mas Deus o reabilitou. “Aquele que conduz à vida, vós o matastes, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” (1ª leitura). Era preciso que o Cristo padecesse (evangelho), não porque Deus o desejava, mas porque as pessoas o rejeitaram e o fizeram morrer. Mas Deus quis mostrar publicamente que Jesus, assumindo a morte infligida ao justo, teve razão. É isso que significa a ressurreição. O próprio Ressuscitado cita aos discípulos os textos da Escritura que falam nesse sentido (Lc 24,44).

Muitas vezes, a gente só descobre o sentido profundo das coisas depois que aconteceram. Assim também foi preciso primeiro o Cristo morrer e ressuscitar, para que os discípulos descobrissem que nele se realizou o modo de agir de Deus, do qual falam as Escrituras. Muitas vezes o Antigo Testamento fala do justo perseguido ou rejeitado (p. ex. Sl 22, Sl 69; Sb 2), do Servo Sofredor (Is 52,13–53,12). Esses textos nos ensinam que aquele que quer praticar a justiça segundo a vontade de Deus há de enfrentar perseguição e morte. Ora, esses textos encontraram em Jesus uma realização inesperada e incomparável: aquele que Deus chama seu Filho morre por estar comprometido com o amor e a justiça de Deus. Em frente dessa morte, a ressurreição é a homenagem de Deus a seu Filho. O que foi rebaixado pelos injustos, é reerguido por Deus e mostrado glorioso aos que nele acreditaram. A ressurreição é a prova de que Deus dá razão a Jesus e de que seu amor é mais forte que a morte.
Se Deus dá razão a Jesus, se Deus endossa a prática de vida que Jesus nos ensinou por seu exemplo, já não podemos hesitar em alinhar nossa vida com a sua. Jesus “ressuscitou por nós”, isto é, para nos mostrar que o certo é viver e morrer como ele. Quem, morrendo ou vivendo, dá a vida pelos irmãos, não é um ingênuo; Deus lhe dá razão.

Que significa então: “Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados” (2ª leitura)? À luz do que dissemos acima, esta expressão não significa que Jesus é um sacrifício oferecido para pagar a dívida em nosso lugar, mas que aquilo que os antigos queriam realizar pelas vítimas de expiação – reconciliar-se com Deus – foi realizado de modo muito superior pela vida de justiça que Jesus viveu até à morte por amor. E, na medida em que o seguirmos nessa prática de vida, guardando seu mandamento, o amor de Deus se torna verdade em nós (1Jo 2,3-5). 

(O Roteiro Homilético é elaborado pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total.)

domtotal.com.br

Pia União de Santo Antônio

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